O enjoo espacial, chamado de síndrome de adaptação espacial, é um tipo de enjoo de movimento que afeta diversos astronautas quando eles retornam à Terra. Contudo, um estudo mostrou que os óculos de realidade virtual podem amenizar os efeitos e até mesmo substituir os medicamentos utilizados para tratar o problema.
Como acontece o enjoo espacial?
O problema acontece porque, ao irem para o espaço e voltarem, os cérebros dos astronautas ficam confusos, pois nunca haviam experimentado a ausência de gravidade. Quando retornam ao nosso planeta, seus cérebros criam uma expectativa que não condiz com a realidade, o que gera náuseas, desorientação e tonturas.
Para efeito comparativo, os astronautas passam por algo parecido com o enjoo enfrentado por pessoas em viagens de carro, pois elas acreditam que estão paradas, mas outra parte do corpo sinaliza que estão em movimento. Dessa forma, ocorre a náusea.
Em alguns casos, como o pouso em oceano ou quando a cápsula está balançando, os astronautas acabam sofrendo mais com enjoos e precisam deixá-la o mais rápido possível, pois o problema pode afetar o julgamento e o tempo de reação dos astronautas.
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Medicamentos para o enjoo espacial

Imagem: @Freepik/Freepik
Atualmente, esses profissionais fazem uso de medicamentos antieméticos para bloquear alguns sinais cerebrais e reduzir esse problema. No entanto, esses remédios podem causar sonolência, o que prejudica o estado de alerta em situações de emergência. Outro ponto é que o efeito da medicação é reduzido com o tempo.
Utilização da realidade virtual como uma possível solução
De acordo com o portal Interesting Engineering, pesquisadores realizaram um estudo com óculos de realidade virtual, testando o equipamento como uma forma de amenizar o enjoo espacial.
Eles fizeram testes em relação às reações das pessoas à realidade virtual sob condições de gravidade variáveis, seguidas por movimentos ondulatórios, simulando, por exemplo, uma situação na qual o astronauta está dentro de uma cápsula no mar.

Para o estudo, foram testados três grupos. O primeiro não tinha estímulo visual; o segundo foi colocado em uma simulação de janela lateral, na qual a realidade virtual mostrou movimentos parecidos com os que eles sentiram. O terceiro grupo teve uma visão simulada pela janela da frente, com a realidade virtual exibindo o movimento em tempo real e antecipando os próximos, como ao visualizar a estrada à frente.
Resultados
- No primeiro grupo, aproximadamente 66% das pessoas ficaram doentes no final dos testes.
- No segundo grupo, apenas 20% das pessoas desistiram antes do término do teste.
- No terceiro, 10% dos participantes abandonaram a experiência antes do final.
- O estudo mostrou que a realidade virtual pode reduzir o enjoo de movimento em cerca de 50% ou mais, principalmente quando é usada para oferecer ao cérebro um contexto visual coerente, permitindo que os sinais sensoriais se correspondam e evitando as náuseas.
- Os resultados são animadores, pois indicam que a realidade virtual pode ser aplicada em diversas situações além da espacial, sendo útil para quem sofre com enjoo em carros, veículos autônomos, aviões e até mesmo no mar.
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